terça-feira, 3 de abril de 2012

Solidão: distância de si


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Felipe deveria estar cheio de energia para começar uma nova semana. O feriado de 15 de novembro havia sido perfeito para descansar. Entretanto, ao acordar naquela terça-feira, Felipe sentia-se mal. Era como se algo de muito errado tivesse acontecido. Em vez de levantar-se e abraçar o dia que começava, encolheu-se sob as cobertas e fechou os olhos para conter as lágrimas.
Seria melhor dormir e ignorar aquele aperto que sentia no peito. Por mais que tentasse, Felipe não conseguiu dormir e sem que fizesse esforço algum, quatro palavras saíram de sua boca em um tom de confissão inesperada: “Me sinto tão sozinho”. Muito embora Felipe fosse uma daquelas pessoas com dezenas de contatos no seu telefone celular, o sentimento era verdadeiro. Estava sempre rodeado por tantas pessoas, mas não conseguia se conectar com elas de modo mais íntimo. A nenhuma delas havia aberto o coração.
Para dar vazão à tristeza que trazia em si, Felipe acessou em sua memória um repertório de músicas tristes. Percebendo a estupidez daquela cena, interrompeu a sequência de músicas deprimentes, levantou-se, olhou no espelho e disse para si mesmo, como se fosse um desafio: “Sou um homem de 32 anos, tenho uma vida estável e venho crescendo profissionalmente, mas não tenho uma pessoa especial com quem partilhar minhas vitórias.”
De fato não há nada mais legítimo para um adulto do que encontrar aquela pessoa com quem partilhará sua vida, fará planos, construirá sonhos e se sentirá em casa pelo simples fato de estar uma na presença de quem ama. Entretanto, o que Felipe no fundo esperava era alguém que aparecesse em sua vida de modo arrebatador e o libertasse de si mesmo. Alguém que tomasse conta de sua vida. Uma pessoa que lhe trouxesse redenção e preenchesse todas as lacunas de sua vida emocional.
O que o brilhante engenheiro não havia entendido é que a origem da solidão está dentro de cada um. À medida que se distanciava de si mesmo em busca de alguém que o consolasse, a solidão apenas aumentava. A busca por relações interpessoais jamais reporia aquela conexão emocional interna que em algum momento havia sido quebrada. Não importa quão estimulante seja um relacionamento, quanto mais a pessoa busca fora de si aquilo que está dentro dela mesma, maior será a sensação de estar sozinho.
Buscar nos outros o remédio para o vazio no peito é também um modo de destruir um relacionamento. Fazer-se dependente do outro é o início de jogos de manipulação, nos quais um se coloca sempre no lugar de vítima, e deixa nas mãos do outro a responsabilidade sobre si mesmo. É como deixar sua carteira com talão de cheques e cartão de crédito dentro do carro, e entregar as chaves do mesmo ao primeiro desconhecido que você encontrar.
Felipe precisa se reconectar com a força que existe dentro de si, e simplesmente se enamorar de sua existência. Quanto mais procurar a resposta fora de si, mais vazio de sentido ficará. Apenas pessoas com sérios problemas emocionais conseguem alimentar por muito tempo as expectativas de um adulto dependente que espera ter seus desejos atendidos tal como a criança que chora às 3 horas da manhã para ser amamentada.
O que Felipe, você e eu precisamos entender é que a pessoa capaz de cuidar de si mesma, jamais sentirá solidão, pois ela irradiará a luz que cultivou em sua interioridade o e não existe nada mais atraente do que alguém feliz consigo mesmo.

sábado, 25 de junho de 2011

Prometo.


Prometo sempre batalhar por aquilo que almejo. Também ter a consciência que nem todas as batalhas serão vencidas, mas nem por isso deixarei de tentar.
Prometo nunca desistir de quem não desistiu de mim.
Prometo tirar um sorriso de você sempre que uma lágrima estiver a escorrer.
E quando a lágrima não cessar, prometo te abraçar forte.
Prometo que quando o meu amor por você estiver bem cansado, tirarei forças pra recomeçar.
Não sou nenhum bom Samaritano, muito menos dono da verdade. Também sei que a vida é cheia de imprevistos, e com isso, vou falhar, terei mais defeitos, mais problemas. Mas, o segredo é não ater-se à coisas tão banais. E quando eu me perder no labirinto da nostalgia, quando o silência da solidão ecoar dentro de mim, quero que você me ache. Quero sentir você aqui comigo.
Por isso e por tantos outros motivos, prometo não descumprir minhas obrigações, mas também prometo arriscar-me, fugir de tudo que me atrasa, abraçar tudo que me convém.

De vez em quando..


volto a me iludir, com coisas que passaram, que já foram, e não são mais. Novamente começo a pensar em como seriam tais situações se ocorressem de uma outra forma, com outras atitudes, talvez um outro ponto de vista. Muita gente não consegue, e nem sequer tenta, enxergar coisas através das palavras. Talvez seja estupidez. Uma pessoa jamais revelará um sentimento tão forte por meio de simples palavras, ainda há muitos pensamentos por trás daquilo. Às vezes me arrependo levemente por coisas que expressei de um jeito óbvio, mas que eram muito mais intensas na minha mente. Será culpa minha ou de pessoas que não souberam entender mais que minhas próprias palavras?

terça-feira, 8 de março de 2011

Felicidade Realista

A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, namorar e dividir uma pizza. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

Seja você, Viva sua Vida.

Engano seu pensar que ser você mesmo é tarefa fácil. É ter sua própria opinião num mundo de maria-vai-com-as-outras. Falar que odiou aquele filme que todo mundo está amando. É colocar calça xadrez porque está com vontade e não porque está na moda. Começar a refeição pela sobremesa para não correr o risco de estar de barriga cheia quando o momento dela chegar. É ir no show de Sandy & Júnior e assumir que gostou. Imitar macaco quando forem limpar seu vidro no sinal. É dizer que sente saudade de alguém que não sente sua falta. Ser simpático com quem não merece nem bom-dia. É não saber o que vai ser quando crescer mesmo já tendo passado dos 30. Jogar futebol de botão com os sobrinhos e descobrir que não passou dos 5. É correr de um jeito engraçado só para fazer as pessoas rirem. Cair da esteira na academia e rir sozinho. É assumir que é Pernambucano e não sabe dançar forró, xaxado e muito menos frevo. É falar rápido demais, comer rápido demais e dirigir devagar na pista da esquerda. É achar que tudo na vida fica mais gostoso com requeijão cremoso. Tudo. Namorar quem você nunca namoraria. É aceitar seu lado ruim, mesquinho e o fato de não ser nenhum Bento XVI. Tomar banho de mar à noite e não tomar banho de dia. É acordar cedo quando você poderia dormir um pouco mais. É gostar de seduzir mas sempre acabar sendo seduzido. Pedir pra ela ficar mais, pra ficar menos e pra ir embora. Gostar mais do dia do que da noite. Babar no travesseiro. É mentir falando a verdade. Amar, sofrer e não ter medo de amar de novo. É aceitar que a vida é uma só e que não dá para perder tempo sendo o que você não é. Porque ninguém nunca vai viver sua vida melhor que você.

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